4º Módulo Formas

4º Módulo Formas

Permanente II


HISTÓRIA DA PERMANENTE
A permanente ontem e hoje
A investigação, através da história, a respeito da transformação do cabelo humano deverá retroagir não somente séculos, mas milênios:
“Ao contemplar quadros ou esculturas dos antigos egípcios ou mesmo da antiguidade clássica, frequentemente, encontrar-se-á cabelos ondulados nas formas mais diversas”.
Podemos afirmar que as pessoas viam certo “ideal” de beleza em cabelos encaracolados ou ondulados.
Por outro lado, os meios usados e necessários para se conseguir “cabelos encaracolados” são praticamente desconhecidos, provavelmente eram bem primitivos. Além disso, certamente as transformações não eram duráveis e por isso não podem ser comparadas com a permanente.
O processo de “ondulação” baseava-se exclusivamente no “princípio da ondulação à água”
Por volta de 1870, o francês Marcel Grateau iniciou o processo de “ondulação”, revelando-nos que a transformação do cabelo atual é relativamente recente.
A ondulação, sem dúvida, proporcionou à profissão de cabeleireiro um impulso decisivo, dando a oportunidade para se procurar os meios de resolver o “problema chave da ondulação”: pouca durabilidade; fragilidade à umidade.
Na época, já havia a permanente dos cabelos cortados, usados pelas peluquerias.
O método usado era cozinhar, numa solução especial de sal, estrias de cabelos, enrolados em bastões de madeira em forma de espiral.
No entanto, havia um problema quanto à técnica, ou seja, transferir esse método a “seres vivos” implicava a possibilidade de queimar o cliente enquanto “cozinhava” o cabelo. A partir daí, muitos inventores se ocupavam com a ideia de desenvolver o “princípio de cozimento” como prática da profissão.
Em meados de 1906, o cabeleireiro Charles Nessler marcou a técnica da permanente encontrando um processo mais adequado; “o enrolamento espiral sobre bastões”, porém, apenas por volta dos anos 20 é que se encontrou reconhecimento e aceitação nesta prática.
Paralelamente ao que “acontecia” na prática de cabeleireiro, a indústria vislumbrando um bom negócio desenvolveu as suas atividades, trazendo ao mercado não só diversos sistemas de permanente, mas também o melhoramento dos equipamentos.
Um dos processos mais significativos, para esta profissão, aconteceu em 1924, desenvolvido pelo mestre cabeleireiro Joseph Mayer de Karlsbad , processo chamado “enrolamento plano”.
Ao contrário da prática exclusiva desenvolvida por Nessler, “o enrolamento espiral sobre bastões” é adotada por todos os profissionais da época; “o enrolamento plano” processo praticado até hoje, verdadeiramente revolucionou a “prática da permanente”. Principalmente porque surgia a nova moda do cabelo curto e portanto, não poderia ser tratada com o tradicional método do “enrolamento espiral”.
A trajetória sobre esta técnica não parou aí. Outros mecanismos importantes no “processo de permanente” foram desenvolvidos: o enrolamento de trava; o aquecimento interno e externo, bem como, a modificação dos equipamentos para uma tensão transformada de 16 a 24 volts.
Em 1932, os ingleses Clarke e Speakman empregaram o sulfito* como meio de reação inorgânica, cujo emprego prático acontecia em um meio alcalino como permanente quente. Posteriormente foi possível empregar o sulfito por meio de uma modificação da base com onda de troca, e, hoje em dia preparados para a permanente à base de sulfito são raramente oferecidos, não tendo, praticamente, nenhuma importância.
Somente após 1938, foram empregados meios de redução orgânicos, como material de permanente, possibilitando assim, pela primeira vez, uma divisão reversível das ligações de enxofre, sem a utilização de aparelhos, e sem a ajuda do calor: acarretando uma estabilização da fixação, facilmente executada através dos meios de oxidação.
Sob a denominação de “permanente fria” esse processo se impôs no mundo inteiro como a maneira moderna da transformação durável do cabelo. Nascera a era da permanente moderna! Todas as permanentes, inclusive as mais modernas se baseiam neste processo.
*Sulfito: Sal resultante da combinação do ácido sulfuroso com base (combinação de enxofre) N.A.